segunda-feira, 1 de setembro de 2008

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Fato é que o Grêmio será o Campeão Brasileiro de 2008. Todo mundo sabe os porquês - o grupo está muito unido, não possui vaidades, blablablá... -, por isso não vou ficar aqui repetindo toda essa ladainha. (Se bem que essa frase tem uma sonoridade! "O Grêmio será campeão brasileiro". Podia repetir, por favor...)

Bueno, mas enganam-se os nossos detratores se pensam que agora aderimos aos pontos corridos. Infelizmente, teremos que ganhar com essa formulazinha insossa. O que tem me feito pensar (sim, eu o faço e eu sei, você não esperava que eu o fizesse) que estaremos lá, como sempre, domingo ou não, faça chuva ou faça temporal, e um belo dia, assim não muito diferente dos outros - exceto pela taça e a volta olímpica -, pronto, cabô.

Não terá o sabor da emoção de se acordar num dia de final de campeonato, sem ter idéia de como se comportarão os nossos soldados, se tremerão diante do inimigo, se lutarão como heróis destemidos defendendo a jaqueta tricolor e sua história. Não. Apenas mais um jogo. Provavelmente o restante do Brasil nem assistirá à batalha derradeira, como já ocorreu com o São Paulo no ano passado.

A metáfora deste campeonato foi criada por ele mesmo: cerveja sem álcool nos estádios. O Brasileirão é uma Liber.

sábado, 30 de agosto de 2008

Romantic Trip II

Tempo: - Se ela te fala assim com tantos rodeios, é pra te seduzir e te ver buscando o sentido daquilo que você ouviria displicentemente. Se ela te fosse direta, você a rejeitaria.

Homem: - Eu sei, jogos de amor são pra se jogar. Ah, por favor, não vem me explicar o que eu já sei. Eu francamente já não quero nem saber de quem não vai porque tem medo de sofrer. Nossas idéias são do mesmo pano. Dois bicudos não se beijam. Até a vista, eu vou andando.

Tempo: - Senta aqui, espera que eu não terminei. Não tem mistério, não, é só teu coração que não te deixa amar... Sem correr, bem devagar... Não se afobe, não, que nada é pra já. O amor não tem pressa, ele sabe esperar em silêncio. Saber amar é saber deixar alguém te amar.

Homem: - Tempo, tempo, mano velho, falta um tanto ainda, eu sei, pra você correr macio. Tempo, tempo, tempo, tempo, vou te fazer um pedido, entro num acordo contigo. Ouve bem o que eu te digo: peço-te o prazer legítimo e o movimento preciso, quando o tempo for propício, de modo que o meu espírito ganhe um brilho definido.



Romantic Trip (28/12/2005)


terça-feira, 26 de agosto de 2008

Música para fazer sorrir o dia

Ando com minha cabeça já pelas tabelas
Claro que ninguém se importa com minha aflição
Quando vi todo mundo na rua de blusa amarela
Eu achei que era ela puxando o cordão
Oito horas e danço... Bom dia...

...beça de noite batendo panelas
Provavelmente não deixa a cidade dormir
Quando vi um bocado de gente
Descendo as fave... Alô! Aham. Aham. Tá, então passa lá em casa na saída do teu trabalho. Me liga quando estiver saindo. Beleza. Falou, meu velho. Abraço!

... Forget about your house of cards
And I'll deal mine
Forget about your house of cards
andI I'll deal mine
Fall off the table
Get swept under
Denial, Denial
The infrastructure will collapse From vaulted spikes
Throw your keys... Tudo bem? Eu quero um Mocaccino Expresso e um pão de queijo. Obrigado.

E aí, guria? Tudo bem contigo? E essa carinha de sono?
Tô morta.
Bá, eu também ando dormindo tarde. Fico na internet... e blogando... Sempre me passo. Bom, vou nessa. A gente se fala...

...na rua a mi me gusta bruta inclinação
o mundo visto desse jeito é uma diversão
a zero por hora
Entrei na rua em minha busca de consolação
apaixonado pelas moças vindo em profusão
a zero por hora... Oi, tudo bem? Tem líquido pras lentes? Opti-free, Renu...? Eu vou levar o grandinho esse. Opti-f... Este mesmo.
Crédito ou débito?
Débito.
Pode pôr tua senha.
Ok? Obrigado.

Você não sente nem vê
Mas eu não posso deixar de dizer, meu amigo
Que uma nova mudança em breve vai acontecer
E o que há algum tempo era jovem novo
Hoje é antigo, e precisamos todos rejuvenescer
Nunca mais meu pai falou: "She's leaving home"
E meteu o pé na estrada... Então vocês vão se dividir em dois grupos e organizar as tarefas entre vocês...

(...)

Bom, falou gurizada. Vou lá. Tchau.
...Two of us sending postcards
Writing letters
On my wall
You and me burning matches
Lifting latches
On our way back home
We're on our way home
We're on our way home

We're going home.

(Celular novo. Dois gigas e fone com blultúfi. Vivaascoisamoderna!)

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Pátria

Foto: Wander Roberto - COB


"Eu não tenho pátria, tenho mátria e quero frátria"
Caetano Veloso

Há cerca de dez anos, numa academia aqui no sul do sul do Brasil, Satolep, alguns argentinos vieram dividir com brasileiros o prazer de aprender a arte da capoeira. Os nossos brincavam, dentro e fora dos treinamentos. Já os hermanos surpreendiam por sua gana. Os olhos deles vidrados nos nossos, no afã de antever cada golpe que viria.

A prática do esporte sempre foi uma grande diversão para nós e os poucos que não estavam ali pelas risadas, mas para aprimorar sua técnica e seus conhecimentos, perseveraram e estão aí até hoje. Com o tempo, a tal "garra argentina" fez seus efeitos e acabamos aprendendo com eles. Isso mesmo. Brasileiros vendo argentinos jogar capoeira, prática de origem cem por cento tupiniquim.

É claro que eles também sempre estiveram com os olhos voltados para cá, mas esse casamento de culturas só fez acrescentar elementos interessantes para ambos os lados.

Corta.

Verão 2008. Enquanto todos se divertiam com os sons carnavalescos (?) da praia do Cerro Chato, em Santa Tereza, Uruguai, fomos conferir o que poderia surgir de bom na “periferia” daquele barulho todo. Com uma lanterna, caminhamos pelas imediações, até conseguir escutar o som de um violão, que foi nos atraindo, como cheiro de pão quentinho. Nos aproximamos. Alguns homens e mulheres estavam sentados em círculo, em frente a uma fogueira. Logo descobriríamos que eram os salva-vidas do lugar. Vidas, não sei, mas salvaram nossa noite. Nos apresentamos todos, compartilhamos os tragos. Brasileiros, argentinos, mexicanos e uruguaios dividindo o mesmo fogo, a mesma música.

Corta.

Tudo isso para dizer que não sou patriota. Não tenho orgulho de ser brasileiro. Amo algumas virtudes que só este país tem. Assim como admiro muitas qualidades de outros países, que só descobri conhecendo-os ou conhecendo estrangeiros.

Talvez por isso esteja nem aí para mais uma olimpíada com meia dúzia de medalhas.

E o atleta, por que corre? Por que nada, por que salta? Por que quer bater a si mesmo? Pela pátria? Bom, é para tentar entender essa relação entre esforço e limite que assisto aos jogos. Indiferente às bandeiras. Talvez por enxergar beleza na superação, talvez por procurar metáforas da vida, como disse um amigo churrasqueiro.


"Pátria minha - Vinicius de Moraes

A minha pátria é como se não fosse, é íntima
Doçura e vontade de chorar; uma criança dormindo
É minha pátria. Por isso, no exílio
Assistindo dormir meu filho
Choro de saudades de minha pátria.

Se me perguntarem o que é a minha pátria, direi:
Não sei. De fato, não sei
Como, por que e quando a minha pátria
Mas sei que a minha pátria é a luz, o sal e a água
Que elaboram e liquefazem a minha mágoa
Em longas lágrimas amargas.

Vontade de beijar os olhos de minha pátria
De niná-la, de passar-lhe a mão pelos cabelos...
Vontade de mudar as cores do vestido (auriverde!) tão feias
De minha pátria, de minha pátria sem sapatos
E sem meias, pátria minha
Tão pobrinha!

Porque te amo tanto, pátria minha, eu que não tenho
Pátria, eu semente que nasci do vento
Eu que não vou e não venho, eu que permaneço
Em contato com a dor do tempo, eu elemento
De ligação entre a ação e o pensamento
Eu fio invisível no espaço de todo adeus
Eu, o sem Deus!

Tenho-te no entanto em mim como um gemido
De flor; tenho-te como um amor morrido
A quem se jurou; tenho-te como uma fé
Sem dogma; tenho-te em tudo em que não me sinto a jeito
Nesta sala estrangeira com lareira
E sem pé-direito.

Ah, pátria minha, lembra-me uma noite no Maine, Nova Inglaterra
Quando tudo passou a ser infinito e nada terra
E eu vi alfa e beta de Centauro escalarem o monte até o céu
Muitos me surpreenderam parado no campo sem luz
À espera de ver surgir a Cruz do Sul
Que eu sabia, mas amanheceu...

Fonte de mel, bicho triste, pátria minha
Amada, idolatrada, salve, salve!
Que mais doce esperança acorrentada
O não poder dizer-te: aguarda...
Não tardo!

Quero rever-te, pátria minha, e para
Rever-te me esqueci de tudo
Fui cego, estropiado, surdo, mudo
Vi minha humilde morte cara a cara
Rasguei poemas, mulheres, horizontes
Fiquei simples, sem fontes.

Pátria minha... A minha pátria não é florão, nem ostenta
Lábaro não; a minha pátria é desolação
De caminhos, a minha pátria é terra sedenta
E praia branca; a minha pátria é o grande rio secular
Que bebe nuvem, come terra
E urina mar.

Mais do que a mais garrida a minha pátria tem
Uma quentura, um querer bem, um bem
Um libertas quae sera tamen
Que um dia traduzi num exame escrito:
"Liberta que serás também"
E repito!

Ponho no vento o ouvido e escuto a brisa
Que brinca em teus cabelos e te alisa
Pátria minha, e perfuma o teu chão...
Que vontade me vem de adormecer-me
Entre teus doces montes, pátria minha
Atento à fome em tuas entranhas
E ao batuque em teu coração.

Não te direi o nome, pátria minha
Teu nome é pátria amada, é patriazinha
Não rima com mãe gentil
Vives em mim como uma filha, que és
Uma ilha de ternura: a Ilha
Brasil, talvez.

Agora chamarei a amiga cotovia
E pedirei que peça ao rouxinol do dia
Que peça ao sabiá
Para levar-te presto este avigrama:
"Pátria minha, saudades de quem te ama…
Vinicius de Moraes.""

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quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Compostas

Pé-de-moleque. Pede, moleque. Que mole... De pé!
Guarda-chuva. Chuva guardas? Chuva. Água. Guardas!!
Leão-de-chácara. Chá para leão. Cara de leão. Carão.
Bem-te-vi. Bem, te vi. Tive bem. Te vi, bem.


(sob efeito daquilo que mais me deixa bêbado, ou seja, trabalho. 11 horas de trabalho. e sono. muito sono...)
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domingo, 17 de agosto de 2008

Caymmi

"É quando o cansaço da lida da vida
Obriga João se sentar
É quando a morena se encolhe
Se chega pro lado querendo agradar
Se a noite é de lua
A vontade é contar mentira
É se espreguiçar
Deitar na areia da praia
Que acaba onde a vista não pode alcançar
E assim adormece esse homem
Que nunca precisa dormir pra sonhar
Porque não há sonho mais lindo do que sua terra."

Trecho de João Valentão


Achei pouco.
O que fizeram até agora. Desde ontem, quando acordamos com essa notícia triste.
Nestes tempos de pop-ups que se abrem a cada minuto com uma nova informação, tudo vira efêmero.
Esqueceram do tamanho do Dorival. Um daqueles. Na hierarquia da boa música no céu, vai ficar ali ao lado do Vinicius, do Tom... Ninguém acima. Ê, turma boa!

Dorival é simples. Não fácil.
E é único.

Maricotinha - Dorival Caymmi e Chico Buarque



terça-feira, 5 de agosto de 2008

Caminho.

Olho para o chão, olho para o céu, para os arranha-céus.
Busco os olhos dos passantes. Na calçada, atrás das vitrines, dos pára-brisas...
Todos sobreviventes. Nessa insanidade que é buscar felicidade no fim do caminho.

Caminho.
Percalços, saltos, solavancos, sobressaltos e uma trajetória absurdamente irregular fizeram o meu caminho. Até aqui.

Irregular? Sim, muito. Mas quem se atreveria a desenhar a verdadeira trajetória que faz o contorno de um coração?

Algumas vezes andei na linha, muitas outras na contramão. Entretanto meu problema sempre foram as esquinas! Elas que nos pegam de surpresa, nos fazem esbarrar uns nos outros. Nunca se sabe o que pode haver do outro lado quando se está prestes a encontrar uma esquina pelo caminho.

Ainda assim, caminho.
Porque às vezes a surpresa é boa. E pode ser que dê vontade de caminhar lado a lado. Junto. "Perto, se longe, e mais perto, se perto", como dizia o Poetinha. Mesmo que seja apenas até ali, até a próxima esquina. A partir daí não sei... A ventura que nos diga o quanto vale uma aventura.

Não, eu não me perco pelo caminho.
Porque afinal, cadê ele? Não sei. Logo, caminho.
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domingo, 20 de julho de 2008

Um retrato do autista quando jovem

Ressaca. Preguiça. Cozinha. Água nas plantas. Coca-cola. Tango argentino. Volume alto. Futebol na TV. Futebol na internet. Cama. Casa. Chuva. Tédio. Louça. James Joyce. Rock inglês. "Ouça no volume máximo". Coisas no lugar. Supermercado. Lista de compras. Banho. Cinema. Baden Baden Golden Ale. Nuggets. Vídeos na internet. Academia de Mestre Bimba. Móveis Coloniais de Acaju no Beco. Download. Rubinho Jacobina. Max Sette. Blog. Alongamento. Suco de laranja. Colgate. Sono.

Domingo.

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Elogio

"Paradigmático em gestão de amigos"

Um dos bons que já recebi na vida.
Jornalistas gostam de inventar termos que os façam enrolar a língua depois de certa hora.

Ah, só para lembrar: se beber, não dirija... pelas avenidas. Procure vias alternativas.

Grande Canibal!

Patrimônio Cultural do Brasil



Um belo reconhecimento.

Saiba mais aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.


"Uma vez, perguntei a Seu Pastinha
O que era a capoeira
E ele, mestre velho respeitado,
Ficou um tempo calado,
Revirando a sua alma.
Depois respondeu com calma,
Em forma de ladainha:

'A capoeira é um jogo, é um brinquedo,
É se respeitar o medo, é dosar bem a coragem.
É uma luta, é manha de mandingueiro,
é o vento no veleiro, um lamento na senzala.

É um berimbau bem tocado
É o corpo arrepiado
Um riso de menininho
A capoeira é vôo de um passarinho
O bote da cobra coral

Sentir na boca
Todo o gosto do perigo
É sorrir para o inimigo
E apertar a sua mão

A capoeira é o grito de Zumbi
Ecoando no Quilombo
É se levantar do tombo
Antes de chegar ao chão

É o ódio
E a esperança que nasce
O tapa explodiu na face
E foi arder no coração

Enfim,
É aceitar o desafio
Com vontade de lutar

A capoeira
É um barco pequenino
Solto nas ondas do mar'"

Louvor a Mestre Pastinha - Toni Vargas

Salve!

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Parafraseando F. Scott Fitzgerald

Guardar nossos julgamentos é uma questão de esperança infinita. Como meu pai sugeriu de maneira um tanto esnobe, e eu esnobemente repito:

Uma noção básica de sensatez é distribuída desigualmente entre os homens ao nascerem.

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Delay

Na hora em que os nossos amigos da outra ponta da José de Alencar davam adeus a mais uma competição - com já é de praxe - eu comia meu X Cavanhas com ovo e sem salada - também como de costume. O bar estava cheio de colorados. Eu, como não sou muito secador, nem bola. Vez por outra espiava o Sandro Goiano bater nos vermelhos (palavra oriunda de verme, lembre-se), coisa corriqueira para ele, também.

Até que ouço um infeliz gritar: "FEEITOOO!!!", com um radinho nos ouvidos. Era gol do inter. Cerca de cinco segundos depois os outros coitados assistiriam ao gol de seu time pela NET, nos televisores de plasma do Cavanhas. A comemoração foi aquela. Insossa como quase tudo na vida que, por algum motivo, perde um valor indispensável às boas sensações: a capacidade de surpreender.

Confesso que me solidarizei com os pobres. Quase "taquei" uma batata frita na orelha - a que não tinha o radinho colado - do idiota.

Bueno, mas independente da falta de educação de alguns, devo dizer que está difícil mesmo ver jogo fora do estádio. Hoje em dia, mesmo quando estou dentro do Olímpico, acho que alguém com radinho vai gritar gol antes da hora (!).

O que faremos nós apreciadores da imagem e da comemoração uníssona? Assistir aos jogos dentro de casa e com tampões nos ouvidos? Pedir para o Haroldo e o Pedro Ernesto esperarem uns segundinhos antes de soltar o grito?

Este mundo tá perdido mesmo. Até as comemorações de gol...

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Maromba


Pensamentos filosóficos importantíssimos que passaram pelo meu cérebro hoje pela manhã:

"Um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete, oito, nove, dez.
(olho para o relógio, o ponteiro dos segundos está sobre o 3; marco 40 segundos: até o 11)
Depois deste aqui, vou para o voador, em seguida para o leg.

Um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete, oito, nove, dez.
(olho para o relógio, o ponteiro dos segundos está sobre o 7; marco até o 3)
Já tô aguentando melhor o tranco até. Hoje é recém o segundo dia.

Um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete, oito, nove, dez.
(respiro fundo, dou uma esticada nos braços)

Bah, quem era o anão com um braço maior que o outro que tava aqui neste aparelho?
(ajusto os ferrinhos todos)
Um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete, oito, nove, dez.
(olho para o relógio, o ponteiro dos segundos está sobre o 6; marco até o 2)
Se de manhã só passa desenho, por que eles deixam essa tv ligada?

Um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete, oito, nove, dez.
(olho para o relógio)
Vou ter que dar uma apressada, senão chego atrasado no trabalho...
(olho de novo para o relógio, o ponteiro dos segundos está sobre o 10; marco até o 6)
Nunca soube a diferença entre abdução e adução... Abdução não é aquele negócio dos ETs?

Um, dois, três, quatro, cinco... (tô com uma fominha...) ...quatro, seis, sete... Bah, acho que me perdi na contagem. Mas deve ter dado dez já..."

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Dos poetas

"Marselha, julho de 1844

Como se Marselha tivesse querido dar-lhe razões para justificar sua antipatia, tudo começou a andar mal desde que pisou a terra marselhesa. O Hotel Montmorency era um horror, com pulgas que a fizeram lembrar de sua chegada ao Peru, em setembro de 1833, pelo porto de Islay, onde na primeira noite, na casa de dom Justo, o administrador dos Correios, pensou que morreria com as picadas dessas alimárias que dela se alimentaram sem piedade.
No dia seguinte foi para uma pousada no centro de Marselha, dirigida por uma família espanhola; deram-lhe um quarto simples, amplo, e não a proibiram de receber ali grupos de trabalhadores. O poeta-pedreiro Charles Poncy, autor do hino da União Operária, com quem Flora contava para que a levasse em suas reuniões com os trabalhadores marselheses, fora a Argel, deixando-lhe um bilhete: estava exausto, seus nervos e músculos necessitavam de repouso. O que se podia esperar dos poetas? Eram uns monstros de egoísmo, cegos e surdos à sorte do próximo, uns narcisos enfeitiçados pelos sofrimentos que inventavam para poder cantá-los. Você, Flora, talvez devesse considerar a necessidade de que na futura União Operária não só se proibisse o dinheiro, também os poetas, como fez Platão na sua República"

Extraído de O paraíso na outra esquina, de Mario Vargas Llosa.



Imagem: André Koehne

Ah, se Flora Tristán e Platão tivessem conhecido Vinicius de Moraes, assim como ele está aqui no outro post: por meio de uma poesia sua recitada por sua própria voz; não cometeriam tão grave erro de pensar no fim dos poetas. Não ele, o filósofo, que sempre tentou entender o mundo, nem ela, a revolucionária, que viveu para tentar salvá-lo. Eles não o fariam.

Se ainda ficassem com alguma dúvida mesmo após ouvirem coisas como O dia da criação, a dirimiriam escutando qualquer canção cantada pela voz bêbada do Poetinha. Como esta abaixo.

Música e poesia para aproveitar as férias! (Ah, e assistam a Juno).

Saravá!

Vinicius de Moraes - Canto de Ossanha

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quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Jorge Mario Pedro Vargas Llosa

Para cada virada de ano, um Llosa diferente. O do ano passado foi "Travessuras da menina má". O da passagem 2007/2008 chama-se "O paraíso na outra esquina", que transpõe para a ficção um retrato das vidas de Paul Gauguin, pintor francês, e de sua avó, Flora Tristán, uma das precursoras da moderna luta pela emancipação da mulher. Só daí já se vê que a história tem tudo para ser boa. Estou na página 107 e o que posso dizer é que ontem quase fui atropelado ao atravessar a Ipiranga com os olhos fixos no livro à minha mão.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

Mais devaneios

Escrito em Porto Alegre, na sexta-feira, 21 de dezembro de 2007. À tarde.

Estou sentado em minha cama. Caderninho eletrônico à frente, televisão ligada - coisa rara aqui em casa. O sol entra pela janela à direita da cama. Na rua está um calor insuportável. Não tenho nada para dizer, mas como o Paul disse um dia, às vezes basta a gente engatar a primeira que, de repente, sai alguma coisa.

Estou de ressaca. De várias coisas... Na TV, o Multishow mostra um programa em que o Beto Lee tenta contar a história do rock tupiniquim. Fala dos últimos discos lançados por sua mãe como se eles tivessem alguma relevância...

Pelo que estou entendendo pelas chamadas nos intervalos, é uma série. Chama-se "Que rock é esse?". Em programas anteriores, ele fez uma retrospectiva do gênero, no Brasil, até chegar nos "atualmentes", neste. "O principal nome do rock brasileiro dos anos 2000 supreendeu a todos e, mesmo no auge, resolveu dar uma pausa na carreira", a voz amena de Beto suaviza a lembrança dessa que foi a pior notícia de 2007. "E no próximo bloco: que emo é esse?"... Há horas insisto com um roqueiro amigo meu que o rock brasileiro fez essa pausa junto com Los Hermanos. Entrou em recesso também. O que sobrou agora? Esses emos?

"CPM22, Detonautas, Nxzero... Quando as gravadoras contrataram essas bandas é porque queriam um novo Charlie Brown Jr", disse o editor-chefe da Rolling Stone Brasil no especial. "Esse cara, o vocalista do Nxzero. Ele disse que a música 'Razões e emoções' foi feita em 5min, que foi vomitada. Óbvio que foi vomitada, olha a pobreza da letra, da melodia...", completa.

"Essa geração é mais forma do que conteúdo", disse o Dinho Ouro Preto. "A nossa tinha letristas como o Cazuza, como o Renato. A imagem não era importante, o importante era o que era dito. Hoje tudo é bem gravado, bem feito, eles já sabem que roupas vão usar, etc", completou.

Fiquei pensando nisso. A agressão do Chorão ao Camelo, por ter feito uma crítica - que nem era direta - a uma banda numa propaganda de refrigerantes, acabou se tornando um tanto emblemática. Era a revolta da forma contra os últimos suspiros do conteúdo. Mas estes são só devaneios.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

Os que viverem, verão

Verão. Muito sol, mar, muitas viagens, poucos leitores, poucos posts. Afinal, este caderninho eletrônico aquece muito e costumo trocá-lo por um bom livro e uma rede bem baiana. Mas vamos lá, que o bonde não pode parar e a galera de Porto e Lisboa está no auge do inverno e continua freqüentando a casa... Aliás, aquele abraço para o país que mais tenho vontade de conhecer na Europa. E repassem minhas saudações tricolores ao Felipão!

Aqui na colônia as coisas não mudaram muito nesses 507 anos. Alguma melhorazinha aqui e ali. No futebol, o Corinthians foi rebaixado e até agora parece que vai jogar a segunda mesmo. Em compensação, a gente esqueceu que entende do esporte bretão e, de uns anos para cá, resolveu tentar imitar vocês europeus que - perdoem-me se ofendo - têm os campeonatos e torcidas mais monótonos do planeta. Resultado: criamos um Brasileirinho, como eu disse esses dias.

Na Zero Hora de hoje, o David Coimbra, que de futebol escreve e fala muito bem e que com um sobrenome desses só podia estar num post que falasse de Portugal, relembra histórias do ídolo dos gramados e das noites portoalegrenses, Renato Portaluppi, e reforça o apelo dos que não querem mais esses pontos corridos insossos e, ao contrário do que muitos pregam, injustos. Se vocês lerem aqui, entenderão.

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

São crianças como você


Me pediram para falar sobre juventude. Me lembrei do mestre Nelson Rodrigues, que falou, numa entrevista: “O jovem só pode ser levado a sério quando fica velho”. É, a verdade é que jovem é um bicho chato. Não sabe de coisa nenhuma e, ainda por cima, acha que sabe.

Quando crianças, somos os maiores fãs dos nossos pais. Olhamos para eles com admiração e tudo o que eles dizem é verdade incontestável, afinal, não conhecemos nada deste mundo e os pais detêm o “poder da sapiência”.

Aos poucos, você percebe que seu pai e sua mãe não são perfeitos. É um choque. Descobrir que seu pai não é o melhor jogador de futebol das peladas do trabalho e que sua mãe não é a pessoa que mais entende de matemática do mundo é duro. Você vê que os seus pais já não são tão maiores, fisicamente mesmo. Que, em última instância, já não podem mais te segurar se você quiser ir a algum lugar. Porém, eles ainda nos sustentam e nos momentos de raiva este acaba sendo o único elo que nos une. Os amores são eternos, os prazeres são para ontem, a disposição é infinita. Há que se pesar que se não fosse essa ingenuidade, essa espontaneidade do ato impensado, existiria... o rock, por exemplo? A rebeldia tem faixa etária.

O problema é que nos achamos invencíveis, não há droga que nos derrube, não há idéia da qual não possamos discordar. “Aos 18, o sujeito não sabe dizer um 'boa noite' a uma mulher”, disse o Nelson também. No momento em que você percebe que seus pais não são heróis, começa a achar que você que é. Daí vem essa vontade contida de subjugar os coroas. “A única coisa que eles têm é a grana. O dia em que eu tiver a minha, vou-me embora desta casa!”, afirma o adolescente mala.

Até que este dia chega. E com ele a resignação. Você já não quer mais fugir de casa. Na real, se der para teu salário ajudar nas despesas, você já ficaria satisfeito. Os pais voltam a ser heróis, mas num outro sentido. Percebe-se como eles sempre foram carinhosos, como souberam impor limites de uma maneira legal. Eles têm defeitos, é claro, contudo fizeram o melhor que conseguiram, às vezes um tanto perdidos em meio à tamanha profusão de atitudes e ao ritmo acelerado do filho jovem.

Desse dia em diante, os pais passam a ser amigos. Os melhores. Você liga para pedir um conselho na hora de adquirir o seu primeiro apartamento, quando não sabe como lidar com um conflito no trabalho... ou quando quer apenas matar a saudade do antigo convívio. Você quer vê-los bem, felizes.

Depois, com o tempo, a gente vai se tornando um pouco pais dos nossos pais. Eles já não têm a mesma saúde de antes, precisam de nosso auxílio. Mas eles têm a tal da experiência. Passaram por todas essas fases antes de nós. E nos dirão o que vem pela frente. Ou ao menos tentarão. Como fizeram a vida inteira, abrindo caminho para que os filhos transitassem por uma via mais limpa. Sorte que um dia nos ligamos disso. Maturidade, talvez. Entender aquilo que Sócrates dizia, que a sabedoria começa com o reconhecimento da nossa própria ignorância.

Sempre que venho passar uma temporada na casa de meus pais, percebo como é penoso readaptar-me à vida que outrora levava. Pensei nisso tudo enquanto via minha luminária fritar na minha frente, semana passada...

Acontece que, depois que fui morar fora, meu quarto passou a ficar com “o que sobra” da casa. Conseqüentemente, ele tem a pior iluminação: uma fluorescente compacta que deve ter 1W de potência, porque mal consigo diferenciar uma meia verde de uma azul. Como eu pretendia ler, peguei uma luminária - dessas parecidas com a do logo da Pixar - que, não à toa, depois eu descobriria, estava láá no cantinho da estante. Sem pestanejar, coloquei-a na tomada 220V - voltagem de Pelotas -, deitei em minha cama e retomei meu Hunter Thompson. Narinas entupidas, como sempre, não senti o cheiro de queimado. Porém, duas páginas depois, veio o barulho. Era como se ouvisse um enxame de abelhas atrás da minha cabeça. Virei-me em direção à lâmpada e, quando enxerguei a fumaça, saltei para evitar que chamas surgissem no recinto. A luminária era 110V! Se não me engano, a comprei aqui em Pelotas, em férias anteriores. 110V, porque queria levá-la para Porto Alegre, coisa que nunca fiz.

Meus pais sempre tentaram me dizer - receosos de meterem-se nas decisões de um adolescente rebelde e respeitosos, como sempre foram:

- Meu filho, tu tens certeza que queres fazer Engenharia? É que nós não vemos tu demonstrares interesse em mexer com esses equipamentos elétricos e mecânicos... - ouvi uma vez.

Com 18 anos, eu era uma besta mesmo.

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

Dos dicionários

(1)Aquilo que representa a primeira pessoa do singular e é usado por aquele que fala ou escreve para referir-se a si mesmo (2)enfatiza a negativa de que (3)represento por sinais gráficos de modo bom. (4)O que é ou torna-se realidade é que (5)estou com a posse, a propriedade e estou no gozo de (6)listagens, geralmente em ordem alfabética, das palavras e expressões de uma língua ou um assunto com seus respectivos significados ou sua equivalência em outro idioma que (7)apresentam as qualidades esperadas, que são superiores em atributos que determinam a essência ou a natureza de algo ou alguém.

terça-feira, 13 de novembro de 2007

Nietzsche

"A verdade não é boa para todos"