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sábado, 30 de agosto de 2008

Romantic Trip II

Tempo: - Se ela te fala assim com tantos rodeios, é pra te seduzir e te ver buscando o sentido daquilo que você ouviria displicentemente. Se ela te fosse direta, você a rejeitaria.

Homem: - Eu sei, jogos de amor são pra se jogar. Ah, por favor, não vem me explicar o que eu já sei. Eu francamente já não quero nem saber de quem não vai porque tem medo de sofrer. Nossas idéias são do mesmo pano. Dois bicudos não se beijam. Até a vista, eu vou andando.

Tempo: - Senta aqui, espera que eu não terminei. Não tem mistério, não, é só teu coração que não te deixa amar... Sem correr, bem devagar... Não se afobe, não, que nada é pra já. O amor não tem pressa, ele sabe esperar em silêncio. Saber amar é saber deixar alguém te amar.

Homem: - Tempo, tempo, mano velho, falta um tanto ainda, eu sei, pra você correr macio. Tempo, tempo, tempo, tempo, vou te fazer um pedido, entro num acordo contigo. Ouve bem o que eu te digo: peço-te o prazer legítimo e o movimento preciso, quando o tempo for propício, de modo que o meu espírito ganhe um brilho definido.



Romantic Trip (28/12/2005)


terça-feira, 9 de outubro de 2007

Fora da (des)ordem

Uma certa visão do caos. O que poderíamos chamar de partes do cenário são um guarda-roupa, com uma das portas abertas, e uma série de outros móveis que não parecem ter sido projetados para esse quarto. Dois cubos de madeira empilhados sustentam um aparelho de televisão. Em seguida, vê-se um som velho desligado sobre uma éspecie de mesinha com rodas. Em frente ao som e à tv, uma cama com cobertas dispostas de forma bem desordenada. Sobre ela também aparecem celulares, livros e controles remotos. O computador, seus fios e suas mil tarefas simultâneas ajudam a completar o excesso de imagens e o som de fundo, vindo da rua movimentada, atrapalha um pouco a concentração. Ao lado da cama, um banco com um copo quase vazio de água e um prato com restos de pizza. Roupas, usadas pela manhã, estão sobre um pequeno sofá. Pelo chão, um par de tênis e outro de chinelos e duas meias, cada qual atirado para um canto diferente. O armário que completa a cena quase consegue tapar o colchão de casal atrás de si, mas lhe faltam uns 30cm de largura. Deveria ser reservado apenas para os livros, mas guarda também uma máquina de cortar cabelo (!), dois desodorantes e um recipiente desses com guardanapos (!).

Tudo está fora do lugar. Fora da ordem. Os objetos, as imagens... No entanto, basta fechar os olhos... Para esquecer toda a bagunça... Para ouvir apenas o som que, agora, sai do televisor. Desde que seja uma das melhores canções feitas nos últimos anos. Não me arrependo. E não me canso de insistir nesse cara que ainda consegue criar coisas tão bonitas e tão marcantes.

http://www.youtube.com/watch?v=3jCztUzuAU0

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