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sábado, 30 de agosto de 2008

Romantic Trip II

Tempo: - Se ela te fala assim com tantos rodeios, é pra te seduzir e te ver buscando o sentido daquilo que você ouviria displicentemente. Se ela te fosse direta, você a rejeitaria.

Homem: - Eu sei, jogos de amor são pra se jogar. Ah, por favor, não vem me explicar o que eu já sei. Eu francamente já não quero nem saber de quem não vai porque tem medo de sofrer. Nossas idéias são do mesmo pano. Dois bicudos não se beijam. Até a vista, eu vou andando.

Tempo: - Senta aqui, espera que eu não terminei. Não tem mistério, não, é só teu coração que não te deixa amar... Sem correr, bem devagar... Não se afobe, não, que nada é pra já. O amor não tem pressa, ele sabe esperar em silêncio. Saber amar é saber deixar alguém te amar.

Homem: - Tempo, tempo, mano velho, falta um tanto ainda, eu sei, pra você correr macio. Tempo, tempo, tempo, tempo, vou te fazer um pedido, entro num acordo contigo. Ouve bem o que eu te digo: peço-te o prazer legítimo e o movimento preciso, quando o tempo for propício, de modo que o meu espírito ganhe um brilho definido.



Romantic Trip (28/12/2005)


sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

Mais devaneios

Escrito em Porto Alegre, na sexta-feira, 21 de dezembro de 2007. À tarde.

Estou sentado em minha cama. Caderninho eletrônico à frente, televisão ligada - coisa rara aqui em casa. O sol entra pela janela à direita da cama. Na rua está um calor insuportável. Não tenho nada para dizer, mas como o Paul disse um dia, às vezes basta a gente engatar a primeira que, de repente, sai alguma coisa.

Estou de ressaca. De várias coisas... Na TV, o Multishow mostra um programa em que o Beto Lee tenta contar a história do rock tupiniquim. Fala dos últimos discos lançados por sua mãe como se eles tivessem alguma relevância...

Pelo que estou entendendo pelas chamadas nos intervalos, é uma série. Chama-se "Que rock é esse?". Em programas anteriores, ele fez uma retrospectiva do gênero, no Brasil, até chegar nos "atualmentes", neste. "O principal nome do rock brasileiro dos anos 2000 supreendeu a todos e, mesmo no auge, resolveu dar uma pausa na carreira", a voz amena de Beto suaviza a lembrança dessa que foi a pior notícia de 2007. "E no próximo bloco: que emo é esse?"... Há horas insisto com um roqueiro amigo meu que o rock brasileiro fez essa pausa junto com Los Hermanos. Entrou em recesso também. O que sobrou agora? Esses emos?

"CPM22, Detonautas, Nxzero... Quando as gravadoras contrataram essas bandas é porque queriam um novo Charlie Brown Jr", disse o editor-chefe da Rolling Stone Brasil no especial. "Esse cara, o vocalista do Nxzero. Ele disse que a música 'Razões e emoções' foi feita em 5min, que foi vomitada. Óbvio que foi vomitada, olha a pobreza da letra, da melodia...", completa.

"Essa geração é mais forma do que conteúdo", disse o Dinho Ouro Preto. "A nossa tinha letristas como o Cazuza, como o Renato. A imagem não era importante, o importante era o que era dito. Hoje tudo é bem gravado, bem feito, eles já sabem que roupas vão usar, etc", completou.

Fiquei pensando nisso. A agressão do Chorão ao Camelo, por ter feito uma crítica - que nem era direta - a uma banda numa propaganda de refrigerantes, acabou se tornando um tanto emblemática. Era a revolta da forma contra os últimos suspiros do conteúdo. Mas estes são só devaneios.