segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Últimas minhas

Só mesmo esta inseparável insônia para me fazer voltar aqui. Isto e um ciuminho de ver alguns amigos na sua mini-blogosfera, trocando comentários.

Nos últimas horas, vi o Arnaldo Antunes enfiar uns cartazes com as palavras TABU e TOTEM para dentro da própria roupa.

Nos últimos dias, chorei ao ler Eliane Brum.

Nas últimas semanas, choveu muito. E faltou luz em Satolep. E a mãe contou histórias do passado, no escuro. Do tempo em que se conversava na volta do lampião, em Canguçu.

Nos últimos meses, perdi o convívio de muitos amigos para a distância. Tenho saudade todos os dias. Se este servir para nos manter perto, aqui estou.

terça-feira, 26 de maio de 2009

Melhores


Conheço poucas pessoas com quem realmente vale dividir uma mesa de bar. A maioria delas saquei na primeira que eram desse time, das que a gente filosofa, duvida, dá risada junto.
Falo desse boteco num sentido figurado. É para me referir à gente com quem se partilha a vida.
Meu amigo Fernando é um desses. E vai para a China, o filho da puta!

Porto Alegre fica menos bêbada e mais sem graça.

terça-feira, 12 de maio de 2009

Chorei


Leiam, leiam, leiam o "diário_BARBARA PINA" da piauí_32, que chegou hj!


terça-feira, 7 de abril de 2009

Leite Derramado

Mal comecei e já gostei:

"Sirene na rua, telefone, passos, há sempre uma expectativa que me impede de cair no sono. É a mão que me sustém pelos raros cabelos. Até eu topar na porta de um pensamento oco, que me tragará para as profundezas, onde costumo sonhar em preto-e-branco."

Um brinde aos insones!

E viva Chico Buarque, que está melhor a cada livro!


terça-feira, 17 de março de 2009

Silence, please

Procuro silêncios. Pago bem. Se achares, não me liga, manda um e-mail.

quinta-feira, 5 de março de 2009

Filmes de Óscar

Slumdog Millionaire e Milk são filmes normais. Numa escala Péssimo/Regular/Bom/Muito Bom/Ótimo eu fico com Bom para os dois. O primeiro poderia passar na sessão da tarde, está quase no Regular. E aquela "dancinha" no final... Melhor nem comentar. Já o segundo fica mais próximo do Muito Bom, por conta da atuação inesquecível do Sean Penn. Se um dia o mundo precisar de uma justificativa para a existência do ofício de ator, aí está ela.

Podem continuar falando mal, mas o Benjamin Botão ainda é o menos médio, até agora.

Bueno, vou tentar O Leitor. Até aqui, que merda de Oscar, hein? Não precisa ir muito longe para comparar: em 2007 e 2008, tivemos Juno, Sangue Negro, Onde os Fracos não têm vez, Babel, Cartas de Iwo Jima e Pequena Miss Sunshine.

PS: Acabei de ver O Leitor. Este sim, digno de participar de premiações. Muito bom!


domingo, 1 de março de 2009

Bi


Essa guria rápida, inteligentíssima, esperta, queridona e mais vários outros adjetivos resolveu nos abandonar por um ano. Parte amanhã para a terra onde o Caetano foi infeliz. London, London será um lugar mais alegre a partir de agora.

Para amenizar a falta que a Bi fará, a acompanharemos por aqui.

Não a conhece? Mais um motivo para ler!

Eu recomendo.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Das conversas no msn e no ônibus

Antiquado devo ser eu por achar que, mesmo no msn, as pessoas devem ter educação. Dizer bom dia e boa noite, mandar beijo ou abraço, avisar que estão demorando para responder - por conta de uma pizza calabresa que quase se derrama sobre o teclado - e essas bobeiras de um senhor mal acostumado como eu.
Mas admito que se passa por cada situação embaraçosa... O que fazer com aquele amigo que a cada palavra dá enter e em 30 segundos já encheu tua tela e teu saco com perguntas idiotas? Quando isto acontece não vejo muita solução a não ser enfrentar o velho "climão de fim de conversa no ônibus", como bem comparou meu amigo Henrique, esses dias.
Trata-se de cortar o papo e ter de continuar ali, na presença do vivente. No ônibus, você ainda inventa uma desculpa: "Licença, eu tô muito cansado, vou tentar dormir um pouco." Já no msn, não há muitos subterfúgios. Eu digo: "Tenho que ir. Vou jantar." E continuo ali, teclando com todos os que me interessam, postando neste blog, etc. Será que só eu sinto vergonha disso? Ou do climão no bus?
Bom, mas juro que isso é só para os muito chatos, que eu só citaria aqui sob tortura!
Nem tudo tem jeito nessa vida...

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Hot Joy

Há alguns anos, tive de me retirar de um show d'O Rappa, no Opinião, antes de assistir ao bis. O calor era insuportável.

Mais de três anos depois dos Strokes tocarem em Porto Alegre - num show em que o empurra-empurra e a estupidez dos seguranças, aliados ao som péssimo do hoje Pepsi On Stage, fizeram com que o vocalista Julian Casablancas perguntasse: "What a fuck is this place?" -, anteontem foi a vez do Little Joy.

É uma pena quando tu vais comentar o que achou de um show e acaba falando mais dos elementos que não têm a ver com a música em si. A acústica, o ar condicionado, as cadeiras etc. não deveriam vir à frente.

Saí do Opinião comentando do calor inacreditável e da brevidade da apresentação deles. Bom, sobre esta não havia muito o que fazer mesmo, afinal, eles só possuem umas onze músicas. Agora, a temperatura dentro da casa noturna...

Hoje fui ler o que saiu na Zero sobre o show - matéria do Luis Bissigo, que prefiro que você leia no blog do Gabriel Brust, para não perder a entrevista com o Amarante - e adivinha? Calor e show curto. Na caixa de comentários do post aí, só se fala da falta de respeito do Opinião com os frequentadores. Palhaçada.

Ah, o Little Joy? Tava ótimo. Pouco tempo, mas grande diversão!

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Poa 40 graus


"A Estranha História de Benjamin Bluter, esse mesmo, rapaz! Tu tens que ver, é ótimo o filme! Nós saímos da sala de cinema agora...". Não pude deixar de ouvir aquele senhor de seus 50 anos, ao telefone com um amigo, saindo da sala 4 do Unibanco Arteplex de mãos dadas com sua esposa, enquanto eu aguardava na fila para assistir à sessão seguinte do mesmo filme: O Curioso Caso de Benjamin Button. A história, adaptação do conto de F. Scott Fitzgerald - esse mesmo que citei aqui há alguns meses, quando li O Grande Gatsby - é muito boa. Apesar de ter seu momento "use filtro solar", o Brad Pitt e a Cate Blanchett matam a pau. Aliás, aproveito o momento para fazer a declaração mais homossexual da história deste blog: filmes com o Brad Pitt são sempre bons!

Senão, vejamos:
- Thelma & Louise;
- Seven - Os Sete Crimes Capitais;
- Sleepers - Vingança Adormecida;
- Encontro Marcado;
- Clube da Luta;
- Snatch - Porcos e Diamantes;
- Babel;

Só para citar alguns. Imagina se ele não fosse feio...

Bueno, para contar assim de modo raso, é isso que tenho feito para não deixar que o calor me desintegre: ar condicionado e las películas.

Noel, Poeta da Vila: Válido como registro. O ator que faz o Noel é ótimo, a participação do mestre Wilson das Neves é bonita, mas o Supla como Mário Lago!? Aí doeu, né? No geral, é um filme com maus atores.

O Banheiro do Papa: Finalmente consegui ver em dvd. Difícil saber se o vejo com o discernimento necessário. Como contei 2 posts abaixo, minhas origens estão em Melo, o Uruguai é tão mais perto para nós, pelotenses, e a paisagem pampeana é o pano de fundo de nossas vidas. O que eu posso dizer... É um filme extremamente sensível e belo.

Jogo de Cena: Adorei a maneira como o Coutinho faz a gente se confundir entre os depoimentos das mulheres e as interpretações das atrizes, valendo-se de uma solução diferente para cada par encenação/vida real. Como num jogo mesmo. O ponto fraco são as histórias, que poderiam ser melhores.

Gomorra: Depois de uma hora e meia dentro da sala, o enredo do filme não começava. Fui embora. Não costumo fazer isto, mas cada cena sem explicação e sem graça que entrava na tela me impelia a sair. Merda de meio filme.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Satolep

Álbum de Pelotas (1922), de Brisolara, primeira inspiração para Satolep.


Depois que descobri que a Yoani Sánchez Cordero (www.desdecuba.com/generaciony) espera horas em uma fila para usar um dos dois únicos cibercafés de Havana, com um pen drive na mão, para postar em seu blog e ser umas das 31 pessoas mais influentes do planeta, acho que não tenho mais desculpa.

Cá estou eu, numa, agora reformada e com ar condicionado, lã rause da Praia do Cassino. [abre janela] Nunca entendi porque que ninguém - um bar, por exemplo - explora essa história de cassino, jogos, roleta etc. por aqui. Será que é proibido usar a temática, mesmo que a casa não ofereça os serviços? Sei lá... Ao invés disso, nesta temporada, a novidade é uma mórbida e desproporcional cruz na entrada do balneário. Deusulivre saber quem que morreu ali! Pelo tamanho daquele sinal de + a receber os visitantes o monstro devia ser grande! [fecha janela]

Dia desses um amigo falou que tudo é contexto. Gostar ou não daquele filme, da música, do lugar. Depende da companhia, do clima, do humor...

Certo é que dezembro - talvez ainda mais para mim, por conta do cumpleaño - é tempo de reflexão, de repensar a vida e entrar no novo ano com espírito renovado. Às páginas negras da Trip, o músico Rodrigo Amarante falou em uma tal de “fase que os astrólogos chamam de retorno de Saturno, quando você tem 27, 28 anos e fica naquela maluquice, não sabe direito o que vai acontecer”. [abre janela] Eu tenho uma ótima história para contar sobre a compra dessa edição da Trip. Mas esta dá um post inteiro... [fecha janela]

Pois quarta passada completei 28 e, em seguida que dei cabo do esplêndido As Intermitências da Morte - sempre o Saramago... - iniciei a leitura de Satolep, do Vitor Ramil. Foram algumas noites tentando sacar a narrativa - acho que voltando de Portugal um pouco também - até chegar a esta última, em que não dormi nada bem, a me emaranhar em meus pensamentos. Embarquei de vez na viagem do Vitor e, desde então, ando por demais inquieto. Satolep é uma viagem para dentro de nós mesmos. A tal busca do personagem principal - e talvez do próprio autor - por suas raízes, ao completar 30 anos, serve de guia para essa nossa viagem.

Não nasci em Pelotas. Assim como Irineu Evangelista de Sousa, vim ao mundo na pequena Arroio Grande, bem mais perto da fronteira com o Uruguay, país de onde partiram os ancestrais da mãe para virem parar em terras mais próximas e permitirem que, numa estação, uma professorinha do interior de Canguçu pudesse conhecer um cobrador de ônibus de São Pedro do Sul, o pai, e então se desse mais um desses encontros tão brasileiros de árvores genealógicas.

A presença negra aqui faz de Satolep a mais brasileira de todas as cidades deste Sul branco”, diz o Cubano, personagem do livro. [abre janela] Ou alguém acha estranho que a capoeira, coisa mais brasileira, tenha se desenvolvido com tanta força na cidade e tenha tomado, inclusive, espaços pertencentes aos cetegês? Que o grupo responsável por ministrar aulas dessa modalidade na maior universidade do País, com núcleos em grandes cidades como Barcelona, Cuzco e Rosario, tenha apenas duas bases no Brasil: São Paulo e Pelotas? [fecha janela]

Sou brasileiro. Nasci em Pelotas, em 1987, aos 6 anos. “Nascer leva tempo”, também disse o Cubano. Depois de oito anos e meio a explorar as ruas da Capital, percebo que sinto ainda mais vontade de aumentar minha intimidade com Satolep. Já assisti aos shows dos irmãos Kleiton & Kledir no Teatro Guarani, nos Salões de Atos da UFRGS e da PUCRS, na casa da minha amiga Juliana, em Pelotas, num festival de música nativista, em Arroio Grande, na Feira do Livro do Cassino, no Planeta Atlântida e em tantos outros lugares e tantas vezes que não saberia recordar. Ainda assim, me emocionei ao vê-los tocar num palco montado ao lado da praça Cel. Pedro Osório, eu no meio da rua, em frente ao Teatro Sete de Abril. Ali se juntaram novamente os Almôndegas - alguns deles moradores da cidade -, e também o Vitor. O cenário, agora com a maioria dos prédios restaurados e com a praça iluminada para o Natal, não podia ser mais apropriado. Me senti em casa como há muito não me sentia em Satolep. Os habitantes ocupando seu principal local de convivência como eu nunca vira.

O olhar estrangeiro, de quem não mora nem conseguiria mais morar nessa cidade, é como um par de lentes, que adquiri em minhas andanças por portos mais ou menos alegres que esse. Com ele, enxergo melhor as virtudes e, claro, os defeitos de Satolep - estes que tanto comentamos em rodas de chimarrão, mesas de bar e nas conversas dentro dos veículos que nos levam e trazem de lá e sobre os quais não sinto vontade de falar agora.


PS: Satolep é da Cosac Naify, viu, Paul?

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Lista de amigo-secreto

De Natal ou de aniversário, o Jonatinhas quer:

- Um pudim de leite ou uma torta de bombom feitos pela minha mãe. E deitar no seu colo numa tarde de domingo;
- Comemorar um gol do Grêmio na Libertadores com meu pai e meu amigos junto. Ah, o abraço do meu pai...;
- A alegria da minha irmã mais nova, o amor da mais velha, assim numa caixa, para eu botar aqui na sala;
- Um samba antiiigo, do Noel ou do Cartola, pode ser. Assim bem tocado, numa mesa de bar, com minha cerveja do lado;
- As palavras de José Saramago;
- Um chocolate quente no Café do Cofre, ao lado da minha amiga Katinha;
- Ouvir de novo o papapáá feito pela galera n'O Vencedor tocado sem metais. E estar lá de novo, cantando junto;
- O contentamento de escrever uma matéria para a Primeira Via e grandes leitores, como Jairo e João, realmente gostarem;
- Uma roda bem formada, um berimbau bem tocado, meu mestre e meus camaradas se divertindo. Se for em Rosario ou em Sampa melhor ainda;
- As risadas da Famecos! As nossas gargalhadas matinais.

Conforme for lembrando, eu completo. Mas pode me dar o presente depois do natal, depois do aniversário, sem pressa...

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sábado, 13 de dezembro de 2008

Nostalgia

Ainda me emociono toda vez que escuto isto. Bonito demais.

A lista

Faça uma lista de grandes amigos
Quem você mais via há dez anos atrás
Quantos você ainda vê todo dia
Quantos você já não encontra mais...

Faça uma lista dos sonhos que tinha
Quantos você desistiu de sonhar!
Quantos amores jurados pra sempre
Quantos você conseguiu preservar...

Onde você ainda se reconhece
Na foto passada ou no espelho de agora?
Hoje é do jeito que achou que seria
Quantos amigos você jogou fora?

Quantos mistérios que você sondava
Quantos você conseguiu entender?
Quantos segredos que você guardava
Hoje são bobos ninguém quer saber?

Quantas mentiras você condenava?
Quantas você teve que cometer?
Quantos defeitos sanados com o tempo
Eram o melhor que havia em você?

Quantas canções que você não cantava
Hoje assobia pra sobreviver?
Quantas pessoas que você amava
Hoje acredita que amam você?

Por Oswaldo Montenegro

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Meio do mundo

Palafitas às margens do rio Amazonas


Pôr-do-sol e aningal no rio Amazonas


Pé direito no hemisfério norte, esquerdo no sul


À margem do Amazonas




sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

" "

"Não me inspiro nas citações; valho-me delas para corroborar o que digo e que não sei tão bem expressar, ou por insuficiência da língua ou por fraqueza do intelecto. Não me preocupo com a quantidade e sim com a qualidade das citações. Se houvesse desejado que fossem avaliadas pela quantidade teria podido reunir o dobro."

Michel de Montaigne


*postado do meio do mundo - Macapá/AP